Sexta-feira, Março 21, 2003

 
Acho que você tem uma visão certo modo pessimista sobre a busca da vida, e talvez, eu otimista demais. E talvez por isso eu me decepcione demais com a vida, e talvez por isso, você espere de menos dela... E talvez por isso não sejamos felizes, e talvez por isso ninguém seja feliz. Ainda assim acho que o ônus de quem acredita na busca da vida não é a derrota. A derrota não é a vida quem proporciona, mas a solidão de uma busca solitária. Mas a solidão vem do fato de não ter mais quem acredite e viva esta grande utopia também.

E é aí que está todo o erro, meu erro. Eu sou dos que acreditam na vida, nas pessoas, mas as pessoas não acreditam em si próprias. E assim sendo, nem todos somos únicos nem raros, por que nem todos sabem da grande beleza e da grande tristeza da vida, nem todos experimentamos os sentimentos mais fortes, mais contraditórios e mais misturados que a vida pode proporcionar. Sensações como estar a 250km/h e bater num muro denso de concreto. Já senti várias vezes... E isso não tá certo. É uma parte de mim que eu quero e vou corrigir. E que eu pensei já ter amadurecido depois de tanto tempo evitando...

Em muitos pontos somos iguais. Questionamos a vida e somos donos de sentimentos fortes, embora em certos pontos controversos. Não considero um erro nada do que aconteceu, menos ainda nossos desejos, tanto em pensamento quanto em carne. Também eu te desejava em corpo, e antes mesmo que a ébria noite se fizesse real. Mas guardava isso para mim... guardava pra mim meus pensamentos.

De fato, não te amo, nem gosto tanto de você que me faça sentir tão profundamente triste com tudo isso, mas de fato, a vontade que tenho de gostar dessa forma de você, essa sim, é grande. Você está muito bem encaixado no meu ideal de homem-companheiro-amante-amigo, e isto é uma tentação gigantesca, difícil de resistir.

Pense em mim não mais como hoje, mas como alguém que gostaria muito e talvez pudesse de fato, te amar profundamente, levemente, respeitosamente, racionalmente, seriamente, cegamente, ou como eu puder, e sem medo.
Mata Piolho 2:32 PM