Quarta-feira, Março 26, 2003

 
Já mencionei aqui que sou estudante de Letras. Acho que então não preciso explicar o porque deste texto, que não é meu, deixo isso claro, e que é genial.

O assassino era o escriba


Paulo Leminski. In: Caprichos e Relaxos


"Meu professor de análise sintática era o tipo do sujeito inexistente. Um pleonasmo, o principal predicado da sua vida, regular como um paradigma da primeira conjugação. Entre uma oração subordinada e um adjunto adverbial, ele não tinha dúvidas: sempre achava um jeito assindético de nos torturar com um aposto.

Casou com uma regência. Foi infeliz. Era possessivo como um pronome. E ela era bitransitiva.

Tentou ir para os EUA. Não deu. Acharam um artigo indefinido em sua bagagem. A interjeição do bigode declinava partículas expletivas, conectivos e agentes da passiva, o tempo todo.

Um dia, matei-o com um objeto direto na cabeça."
Mata Piolho 11:07 AM