Já mencionei aqui que sou estudante de Letras. Acho que então não preciso explicar o porque deste texto, que não é meu, deixo isso claro, e que é genial.
O assassino era o escriba
Paulo Leminski. In: Caprichos e Relaxos
"Meu professor de análise sintática era o tipo do sujeito inexistente. Um pleonasmo, o principal predicado da sua vida, regular como um paradigma da primeira conjugação. Entre uma oração subordinada e um adjunto adverbial, ele não tinha dúvidas: sempre achava um jeito assindético de nos torturar com um aposto.
Casou com uma regência. Foi infeliz. Era possessivo como um pronome. E ela era bitransitiva.
Tentou ir para os EUA. Não deu. Acharam um artigo indefinido em sua bagagem. A interjeição do bigode declinava partículas expletivas, conectivos e agentes da passiva, o tempo todo.
Um dia, matei-o com um objeto direto na cabeça." Mata Piolho11:07 AM