Quarta-feira, Março 26, 2003

 
Às vezes sinto saudades. Não só de pessoas, mas também de cores, de cheiros, de sabores... e também de textos. Estou agora com saudade deste texto, que já foi postado há alguns meses, mas saudades são saudades, não há o que fazer e preciso que que os leitores me perdoem, mas o colocarei o texto denovo aqui...

Abstinência.


Simone Chiesse

Álcool, cigarro, maconha, cocaína, heroína, LSD, cola de sapateiro, éter, morfina, ecstasy, ópio. Não uso nada disso, mas sei bem o que é uma droga. Uma droga é isso que sinto por você. No início uma ilusão do controle, a certeza de que eu poderia parar quando quisesse, e isso não me faria mal, mas foi um grande engano... Sua abstinência me maltrata. Tenho alucinações, pesadelos horríveis... Vejo monstros me amarrando, me obrigando a ouvir esta música, já tão triste, agora carregada de sentimentos, lembranças e emoções tão particulares, tão distantes... Sinto o corpo doer, uma facada no peito. Preciso, preciso de mais uma dose!

O dia amanhece, a luz do sol traz uma certa calma, uma esperança alegre de que poderei te consumir novamente. Tenho que conseguir:
— Bom dia.
— Bom dia, babe! :)
— Tudo bem c/ vc?
— Tudo! E c/ vc?
— Tudo tb. Sonhei c/ vc hj.
(Sem resposta)
(Sem Resposta)
— Tá vivo?
(Sem resposta)

Abstinência. Sinto-me agora sozinha num quarto escuro, a música soa novamente, alta e clara em todos os versos. Agora quero muito ouvir, como se a música trouxesse um pouco de você. Uma lágrima escorre... Mais uma e outra, várias jorram dos meus olhos em pranto. Soluços, convulsões. Meu coração dispara, novamente doendo como uma facada, sinto meu sangue congelar. Preciso te consumir mais um pouco... Minhas mãos tremem.

Tento me conformar, entender... mas vício é vício, é uma necessidade. É como comer todos os dias, e agora você é uma substância a menos no meu sangue. Sinto que ele está coagulando. Coagulando saudades, lembranças, o vazio que ficou... Sei que vou ter um aneurisma, ou mesmo um infarto, mas não tenho tratamento para meus coágulos, a não ser uma outra dose, uma overdose.

Estou cansada, penso em desistir, mas a esperança de consumi-lo denovo é irresistível, quase sufocante. Tento dormir. Noite mal dormida, novos pesadelos, dores no corpo... É a minha abstinência. Amanhã será tudo igual, até eu estar desintoxicada ou voltar a consumir o meu vício.

Mata Piolho 3:08 PM

 
Acho que a magia acabou novamente. Acabou todo o meu sonho e realidade chegou em pequenos estilhaços tilintantes, bruscos, cortantes, caindo por cima de mim. Aquela sensação de fim agoniante chegava mais perto a cada grão de areia que caía. Tinha um gosto amargo, como de uma ressaca "daquelas"... E parecia abrir um horizonte tão grande e tão duro que causava uma catatonia irreversível. Era vazio e sem cor, seco, árido e cheio de espinhos. Mas era seguro. Uma segurança tentadora...

A vontade era de que o sonho se fizesse em real, prostrado na minha frente. Mas a impossibilidade é um fato que dói como facada. É um fardo.

É uma grande pena. Foi bom enquanto foi. E eu me esforcei para continuar sendo. Mas não consegui. Denovo.
Mata Piolho 2:04 PM

 
Já mencionei aqui que sou estudante de Letras. Acho que então não preciso explicar o porque deste texto, que não é meu, deixo isso claro, e que é genial.

O assassino era o escriba


Paulo Leminski. In: Caprichos e Relaxos


"Meu professor de análise sintática era o tipo do sujeito inexistente. Um pleonasmo, o principal predicado da sua vida, regular como um paradigma da primeira conjugação. Entre uma oração subordinada e um adjunto adverbial, ele não tinha dúvidas: sempre achava um jeito assindético de nos torturar com um aposto.

Casou com uma regência. Foi infeliz. Era possessivo como um pronome. E ela era bitransitiva.

Tentou ir para os EUA. Não deu. Acharam um artigo indefinido em sua bagagem. A interjeição do bigode declinava partículas expletivas, conectivos e agentes da passiva, o tempo todo.

Um dia, matei-o com um objeto direto na cabeça."
Mata Piolho 11:07 AM



Sexta-feira, Março 21, 2003

 
Acho que você tem uma visão certo modo pessimista sobre a busca da vida, e talvez, eu otimista demais. E talvez por isso eu me decepcione demais com a vida, e talvez por isso, você espere de menos dela... E talvez por isso não sejamos felizes, e talvez por isso ninguém seja feliz. Ainda assim acho que o ônus de quem acredita na busca da vida não é a derrota. A derrota não é a vida quem proporciona, mas a solidão de uma busca solitária. Mas a solidão vem do fato de não ter mais quem acredite e viva esta grande utopia também.

E é aí que está todo o erro, meu erro. Eu sou dos que acreditam na vida, nas pessoas, mas as pessoas não acreditam em si próprias. E assim sendo, nem todos somos únicos nem raros, por que nem todos sabem da grande beleza e da grande tristeza da vida, nem todos experimentamos os sentimentos mais fortes, mais contraditórios e mais misturados que a vida pode proporcionar. Sensações como estar a 250km/h e bater num muro denso de concreto. Já senti várias vezes... E isso não tá certo. É uma parte de mim que eu quero e vou corrigir. E que eu pensei já ter amadurecido depois de tanto tempo evitando...

Em muitos pontos somos iguais. Questionamos a vida e somos donos de sentimentos fortes, embora em certos pontos controversos. Não considero um erro nada do que aconteceu, menos ainda nossos desejos, tanto em pensamento quanto em carne. Também eu te desejava em corpo, e antes mesmo que a ébria noite se fizesse real. Mas guardava isso para mim... guardava pra mim meus pensamentos.

De fato, não te amo, nem gosto tanto de você que me faça sentir tão profundamente triste com tudo isso, mas de fato, a vontade que tenho de gostar dessa forma de você, essa sim, é grande. Você está muito bem encaixado no meu ideal de homem-companheiro-amante-amigo, e isto é uma tentação gigantesca, difícil de resistir.

Pense em mim não mais como hoje, mas como alguém que gostaria muito e talvez pudesse de fato, te amar profundamente, levemente, respeitosamente, racionalmente, seriamente, cegamente, ou como eu puder, e sem medo.
Mata Piolho 2:32 PM

 
Sempre fui do tipo de pessoa que se contenta com pequenas coisas em
relacionamentos, de nunca cobrar nada, de respeitar o espaço, os
sentimentos, a individualidade e principalmente a privacidade das outras
pessoas, não com presença constante de hora marcada, com apenas sorrisos e
momentos prazeirosos a dois, mas com o conjunto de tudo isso, e talvez por
ser assim, sempre me apaixono pelo ser, não pelo posto "namorado". E talvez
por isso eu goste demais mesmo nas situações mais adversas.
Sempre tive como mais importante a relação que há entre duas pessoas.

Acho que o fato de ter percebido certa frieza em você me deu um medo
que me tornou irracional pelos mais errados minutos que deveriam acontecer
entre nós.

Naquele dia, a vontade não era só sua, um beijo é um ato recíproco, do
qual eu também participei. E não vou negar que sinto desejo por você, tesão
mesmo. Sim, eu tinha vontade de te beijar, de te abraçar e de fazer todo o
resto que cabe a duas pessoas a sós...
Mata Piolho 2:10 PM



Quinta-feira, Março 20, 2003

 
Sem palavras...




Mata Piolho 2:49 PM



Segunda-feira, Março 17, 2003

 
Ontem foi aniversário da minha mãe e eu me esqueci. Na verdade eu não sabia bem que dia do mês era, ando meio perdida no tempo... parei de usar agenda já há alguns anos e também aquele clássico calendário na carteira. Meus talões de cheques duram meses e eu ainda tenho no meu uma parte do calendário de 2001. E nos últimos meses abandonei também o relógio. Acompanho as horas apenas de longe pelo celular, que eu quase não olho. Felizmente minha mãe não liga muito para aniversários. De fato ela sempre preferiu, não sei bem porquê, passar o aniversário completamente em branco, mas meu tio e minha avó foram almoçar conosco, fazendo a minha ficha cair de que dia era.

De fato tenho mais motivos além do calendário, do relógio e da agenda para estar perdida no tempo, nesta semana. Meu fim de semana não estava sendo exatamente bom até certo momento. Até certo momento em que uma pessoa muito especial esteve comigo e me fez companhia e me deu vários bons montos, inesquecíveis. Não foi tudo perfeito, mas foi tudo bom, muito bom! E apesar de nem tudo acontecer da forma que nós dois queríamos ou pelo menos como certamente ele desejava, foi um grande momento. E aconteça o que acontecer daqui pra frente eu vou me lembrar de todos esses bons momentos, para sempre. Como se não tivessem passado nem ao menos 5 minutos. E a vida nada mais é que 5 minutos, os 5 minutos em que se está vivendo no agora.
Mata Piolho 10:48 AM



Sexta-feira, Março 14, 2003

 
Não ando com muita paciência para postar... Agora que acabou o carnaval, acabou meu dinheiro também e não sei quando vou receber denovo. Estou completamente falida, no vermelho, e com trabalho acumulado e com crise criativa.

Estou tentando terminar o site de um cliente, coisa que tento fazer desde maio e esse site idiota com apenas 5 páginas nunca fica pronto porque eu nunca recebo o maldito material. Já tentei largar esse trabalho de lado, mas alguma força diabólica oculta me mantêm presa a ele. Além do fato de que com o meu pagamento sempre muito atrazado, acabo querendo o dinheiro também. E por falar em dinheiro, estou pensando em fudar uma igreja. Que tal? "Igreja Adventista das Simones Chiesses de Todos os Dias, contribua com R$100,00 todo mês pela Felicidade Eterna". Dureza é uma merda, só faz a gente pensar besteira...
Mata Piolho 4:26 PM



Segunda-feira, Março 10, 2003

 
A Apoteose acabou ou "Minhas férias", o retorno


Depois de várias discussões numa lista muito divertida sobre divisão de apartamentos, o que levar para a viagem e o número de colchonetes necessários, finalmente viajamos para Piúma no sábado as 6:30 da manhã. Não chegamos a pegar trânsito, a não ser por um acidente muito feio onde só sobrou o porta-malas de um Tempra. Triste.

Bem, chegamos a Piúma no fim da tarde de sábado, e descobrimos que a cidade não possui asfalto e que o nosso apartamento ficava numa das ruas principais, atrás do palco da praia, onde a movimentação é muito grande e isto significa que o chão do nosso AP era TERRA PURA!! Tudo bem, subimos os 4 andares de escada com nossas malas pesadas e arrumamos tudo para em seguida descer tudo denovo pra ir comer, pois não tinha comida em casa.

Alguns integrantes da equipe ficaram decepcionados com a ausência de camas no apartamento B e com a falta do ar-condicionado, já que Piúma é quente pra chuchu.

Bem, desgostos à parte, rolou muita brincadeira nos revesamentos de quarto, sala e quarto do líder, paredão, anjo e coisas assim, no apartamento A. Só não tivemos a prova da comida, já que decidimos não fazer comida em casa, apesar de ter rolado um churrascão maravilhoso presidido pelo sr. Marcos, digníssimo namorado da sra. Graziella. Acho que nunca comi uma picanha (sem trocadilhos aqui) tão gostosa e macia! E para acompanhar o Grande churrasco a maravilhosa caipirinha do sr. Raphael entrou em ação e mexeu com os ânimos de todos os presentes, até ser batizada pelo Renatinho, que transformou nossa caipirinha em limonada. De castigo levou um banho de cerveja. A divertida reunião se deu no apartamento A, depois de um lindo dia na Praia do Pau Grande (eu juro que não descobri o porquê deste nome), onde surgiu a idéia de comer o famoso Peruá capixaba e andar de Banana... Mas os meninos acharam que era trocadilho demais para uma praia só (principalmente o Renatinho e o Claudinho, que eram os únicos rapazes solteiros), que podia pegar mal, e resolveram deixar a Banana e o Peruá pro dia seguinte. Eu que sou menina não me importo com essas coisas, mas sabe como é, grupo é grupo, e eu era a única solteira ali. Foi engraçado ainda ver o ébrio sr.Ramiro, completamente fora de si, louco atrás de um capeta, sendo amparado pela sua amada senhora Renata, que manteve a compostura mesmo de pois de um sem-número de latinhas de cerveja.

No dia seguinte, fomos à praia de Meaípe, que fica um pouco mais afastada de Piúma. Ficamos maravilhados com as paisagens do caminho. A praia era legal, mas a do Pau Grande era melhor (por que será?). De qualquer jeito, fomos andar na tão esperada Banana. Foi horrível. Aquele negócio é super difícil de segurar, machuca as mãos, e é fácil perder o equilíbrio e cair no mar. E foi o que aconteceu. O lado que eu estava da Banana (que era dupla, era um Bananão) virou e todos caímos na água. O problema é que quando a gente cai temos a sensação de que só nós estamos caindo e dá um puta medo. Além do que eles só avisam DEPOIS que você já caiu, que quando sentir que está caindo é pra soltar a corda e se deixar cair, pois você pode machucar seus músculos. Bem, a gente machucou os músculos das pernas, dos braços e do pescoço, fora as trombadas que tomamos ao cair, meu tornozelo está doendo até agora... Tudo isso somado ao Renatinho brincando de "Segura Peão!!!". NINGUÉM MERECE!

Bananas à parte, para nos compensarmos de tamanha furada fomos até Iriri, comer a tão famosa moqueca capixaba no Hotel do Português. Comemos uma maravilhosa moqueca de Badejo, e a Mariana e o Vagner preferiram comer uma de lagosta (quem pode pode...). Eu provei um pedaço desta também (eu não podia perder a oportunidade, hehehe). Só o Raphael e a Adriana que não aproveitaram os prazeres gastronômicos de Iriri, devido a um cachorro-quente assassino degustado pelo Raphael no dia anterior, e a Adriana ficou de enfermeira. Viva o cream-cracker!

Depois de forrarmos nossos estômagos com essas inegualáveis iguarias, fomos pro apartamento B, onde rolou mais uma noite de birinight, regada a muita caipirinha, cerveja, batida de coco, de maracujá e até de manga (essa até então eu não conhecia, mas tava muito boa).

Infelizmente, depois de tanta diversão, praticamente todos resolveram voltar pro Rio na terça (cada um com seus problemas), sobrando somente eu, Liliane, Vítor e Renatinho, de um grupo de 15 pessoas. Acabamos decidindo por voltar também, já que 80% da diversão estava a caminho do Rio, só ficou lá o Renatinho, guerreiro e sozinho.

Ainda restou alguma diversão para o caminho da volta, com a comunicação entre o nosso carro e o da Grazi & Marcos, através dos braços, ficavamos acenando entre os carros o número de caminhôes à frente a serem ultrapassados pelos dois carros. Finalmente chegamos em casa, estrupiados e doloridos.

Já ia me esquecendo de mencionar o legendário CD "Só Lixo", produção independente do sr. Marcelo, amado esposo da Sra. Sandra que não precisou muito de ser tocado, já que seu maior hit, a Egüinha Pocotó" era tocado em alto e bom som a cada três passos por toda a cidade.

Bem sobraram as dores da Banana e as fotos que devem entrar no site em alguns dias, mas foi divertido.
Mata Piolho 1:50 PM