Quinta-feira, Abril 24, 2003

 
Jurei para mim que aquela seria a última lágrima a escorrer de meus olhos por causa de alguém. Mas fui tola e percebo que há promessas que não devem ser feitas pois ferem, no fim, nossa própria honra.

Chorei, de fato, mais uma vez. Na verdade, foram várias, muitas as lágrimas que escorreram de meus olhos por mais um ser indigno até mesmo de meu sorriso, menos ainda de minhas lágrimas, tão íntimas e preciosas...

Senti-me de fato ultrajada profundamente em perceber que quebrei minha própria palavra, para mim mesma... E continuei chorando...

E em chorar percebi que não era pelo homem que eu chorava, menos ainda pela decepção ou ainda qualquer frustração. Minhas lágrimas continuavam e meu peito ainda doía profundamente, confusamente, quase sem um porquê concretamente. E a cada lágrima, meus olhos se abriam, não para o mundo, mas para mim.

E então, aos poucos, como num corredor cheio de véus, cada um deles ia se abrindo e eu chegava mais perto de porquê de minhas lágrimas , e no fim da caminhada descobri que cada gota que escorria de meus olhos não era por mim, não era por ele, que não era importante, não fora por nenhum daqueles que existiram no meu passado quase esquecido...

Cada vez que meus olhos se umedeciam por causa dele, não era saudade, dor-de-cotovelo ou nenhum desses sentimentos enfadonhos e vulgares resultados por essas paixõezinhas superficiais. Nada disso...

Era pura e simplesmente pena. Pena e nada mais...


Uma pena que chegava a um nível de dar nojo e provocar as mais fortes náuseas. Sim, pena. Pena de descobrir apenas "machos" em seres que eu julgava serem completos, "homens", ou seja, homens reduzidos à condição primária e mesquinha de simples machos. Pobres ignorantes!

Suprimir toda a vida, toda sua intensidade, todo seu furor, sua força, seu sentimento, sua luz, seu ar. São pedras mortas. Simples zumbis que se locomevem em busca do que satisfaz somente ao corpo enquanto esquecem que têm alma. Não enxergam cores, e levam a vida em preto e branco.

Sim, são seres dignos de pena... e somente isso.
Mata Piolho 4:39 PM

 
Queridos leitores,

Desculpem a falta de atualização no blog, mas não tenho tido tempo nem pra respirar... tenho os textos dos posts que eu colocaria anotados em cadernos que escrevi em ônibus ou noites de insônia, colocarei o quanto antes no ar, espero que amanhã mesmo, e mando e-mails avisando que voltei a atualizar... o blog não morreu!!!

Mil desculpas!
Mata Piolho 3:56 PM



Quarta-feira, Abril 02, 2003

 
Ainda ontem conversei sobre o Amor.
E acho que todos têm uma idéia muito errada sobre ele.

Amor não é desespero, é segurança.
Amor não é necessidade, é realização.
Amor não é ânsia, é conforto.
Amor não é loucura, é razão.
Amor não é aperto, é liberdade.
Amor não é pretensão, é fato concreto.
Amor não é inalcansável, está bem aí, do seu lado ou na sua frente. Basta que se esteja disponível para ver.
Amor não é complicado, tudo mundo é que complica.
Amor não dói, nem faz sofrer. A falta dele o faz.
Amor não duvida, tem certeza, confia.
Amor não é incondicional, tem dignidade, é dignidae.
Amor não decepciona, porque respeita.
Amor não engana, porque é sincero, nem ilude, porque é claro.
Amor não é pesado nem denso, é sublime, mas é forte.
Amor não é difícil, nem caro, é simples e humilde.
Amor não é avassalador, é leve e firme.
Amor não é saudade, quem ama tem o ser amado sempre dentro de si.
Amor não é desejo, é simplesmente amor, e por isso é completo. É corpo, é alma, é sangue. E como tal nada falta no ser amado que deva ser buscado em outro. Assim sendo, fidelidade não é uma obrigação, é uma conseqüência.

Mas Amor não é eterno. Amor precisa de Amor para viver, precisa ser alimentado, senão vai definhando, definhando até morrer... pra sempre.

Se não for assim, chame do que quiser, mas não é Amor.

E acho que ninguém nesse mundo sabe amar.
E acho que ele não sabe o que é amar.
E acho que não quer saber.


Mata Piolho 4:01 PM