Segunda-feira, Setembro 27, 2004

 
Se houver próxima vez...



Esse vazio me chama a escrever. A necessidade que tenho de me esconder e fugir desse domínio que você exerce sobre mim me obriga a encher esse branco com as palavras do que sinto. Queria te contar tudo, te dizer cada palavra, cada sílaba, cada fonema, um por um... Mas não posso.

A verdade é que tenho medo de sair da segurança da redoma de solidão em que me guardei. E aqui sozinha venho gelando, endurecendo, definhando por dentro, até estar segura na ausência completa das emoções avassaladoras que escravizam e desgovernam. Nesse mundo cinzento e escuro encontrei minha tranqüilidade. E eu já estava tão gelada e tão segura, que até estaria feliz, se fosse capaz.

Mas você... Sua presença me causa uma alegria tão grande, que se choca com a minha sempre tristeza numa quase dor que é tão boa e tão alheia... E reaquece tudo o que já estava gelado e quebra todas as pedras do meu coração endurecido, o faz em mil pedaços, esse seu jeito sádico de me ignorar... Se você soubesse!

Se você soubesse como seria bom, se você soubesse... Como seu olhar gelado combina com minha alma gelada... Meu mundo sombrio quer a sua luz, essa luz que me cega em hipnose profunda e só vejo você.

E quando não vejo, é só o que eu quero... É tudo o que quero. Quero estar no transe em que você me coloca, mas não sei como chegar perto de você. E eu que sou tão cheia delas, perco todas as minhas palavras e corro pra dentro da segurança da minha escuridão, e me guardo, me fecho. Não sei como te olhar, então penso que te incomodo e saio o mais rápido pra você não me notar. E como eu queria que você me notasse! Mas meu escuro não deixa...
E sua luz vai embora todos os dias e me deixa aqui, sozinha e turva, com apenas essa centelha perdida que você nem percebeu, que eu guardo comigo pra te entregar, da próxima vez que você me hipnotizar. Sempre da próxima vez.
Mata Piolho 4:41 PM